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14 de dez de 2011

Nepotismo pastoral, indescência eclesiástica

Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do papa com seus parentes, mas atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido. Prática tão nefasta no serviço público que vem ganhando contornos de espiritualidade no meio cristão. Observo cada vez mais pastores praticando o nepotismo descaradamente. Fazem do ministério um meio de empregar seus filhos e parentes mais próximos. Vejo que o ministério pastoral virou um meio não um ideal de vida. Para tentar ter domínio sobre uma igreja consagra-se grande número de parentes e sem o menor constrangimento. Filhos de pastores que nunca souberam o que é trabalhar por uma hora sequer são consagrados a pastores para suceder seus pais quando estes deixarem o ministério. Muitas vezes filhos de pastores que possuem um passado conturbado, profano que precisa ser escondido de qualquer maneira, assumem púlpitos com ares de santidade e vasto conhecimento. Assumem igrejas de portes razoáveis e dizem que Deus os chamou para o ministério. Irmãos, sobrinhos, genros e o que mais aparecer assumem a liderança da obra de Deus sem ao menos terem sido provados pela vida, igreja e por Deus. Se as igrejas fossem consultadas sobre tais consagrações nunca teriam aprovado tais atos. Muitos consagram seus filhos e parentes ao ministério pastoral como se fosse um negócio que passasse de pai para filho. Tratam a sucessão pastoral como se fosse coisa hereditária. Isso não é dinastia onde os sucessores pertencem à mesma família. Tenho visto pastores chegando ao fim de suas vidas como Eli chegou ao fim da sua. Filhos que levam o povo de Deus ao erro e ao escândalo são alçados às lideranças e os pais com medo de submeterem a Deus a sucessão pastoral, usam do poder que lhes foi conferido para calar a voz da comunidade e da Bíblia. Sujeitam o povo de Deus a lideranças descaracterizadas e rudes e se esquecem que o Senhor é o Sumo Pastor. Não sou contra filho de pastor receber chamado ministerial. Sou contra essa tendência pernóstica que infiltrou no seio da igreja. Tal filho tendo um chamado ministerial que curse uma universidade, depois faça um mestrado e em seguida uma boa faculdade teológica. Que preencha os requisitos de I Timóteo e Tito, que não seja neófito, quem goze de bom testemunho dos de fora e a igreja local, em sua maioria, reconheça tal chamado. Anos atrás encontrei um pastor que havia cursado comigo o mesmo seminário. Ele me disse que havia insistido com seu filho para estudar e trabalhar, mas que o rapaz se recusava. Como última alternativa ele disse para o rapaz: “então vá ser pastor”. Logo em seguida me perguntou o que eu achava disso. Eu lhe respondi do jeito que a coisa veio: “Seu filho é tão desqualificado quanto você. Tal pai tal filho”. Virou mania no meio evangélico pastores dizer que existe uma unção especial sobre filhos de pastor. Outro dia, em uma reunião da ordem de pastores que freqüento, um pastor disse que Deus lhe havia dado uma revelação que todo filho de pastor era pastor. Nunca ouvi tal atrocidade como aquela. Revelações esdrúxulas e carnais como estas somente atrapalham o meio cristão. Tais revelações passam por cima da Revelação da Palavra. Filho de pastor que não for alcançado pela graça de Deus perecerá como perece o ímpio. Alguém já disse no passado: “Deus não tem netos, somente filhos”. Mas que o Senhor se apiede de nós pastores e nos dê a graça de conduzir nossos filhos ao pleno conhecimento de Cristo. Que a igreja possa se submeter ao soberano Senhor e aceitar suas decisões. Que nós pastores sejamos mais fieis no trato das coisas de Deus. Em Cristo que não faz acepção de pessoas.

Soli Deo Glória

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

3 comentários:

  1. Se o filho for conpetente e tiver vocacao,a biblia diz: quem nao prioriza os de casa negou a fe e pior que os infieis.

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    Respostas
    1. Essa mania de se utilizar de evasivas isoladas é que desgasta. Ministerialmente isso não cabe por ser uma forma seleção que não cabe ao homem determinar.. O que acontece é que isso ja deu prova suficiente em todos as instancias de direito que é antiético. Em nome dessa "prioridade" consanguinea não se dá valor a homens com verdadeira chamada para "abençoar filhos. Isso é Nepotismo, quando que nossos pastores vão enxergar a verdade disso e para de ficar tirando proveito das prerrogativas ministeriais pra sugar a Igreja fazendo dela cabide de emprego????

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  2. Caro Pr. Luiz Fernando,
    Podemos denominar estes "obreiro$" de: Obreiros de Jeroboão.
    Em 1º Rs. 12: 31 está escrito que o Rei Jeroboão constituiu sacerdotes que não eram da tribo de Leví. Todos os estudiosos da Bíblia sabem que Leví foi a tribo separada por Deus para dela ser constituída os sacerdotes, aqueles que tinham a seu encargo o dever de oferecer sacrifícios, interceder pelo povo e ensinar a lei. Mas Jeroboão cometeu um grave erro ao constituir sacerdotes que não eram da tribo de Leví.
    Semelhantemente hoje também não é diferente. existem muitos obreiros sendo consagrados pelo homem sem a aprovação divina.
    São filhos de Pastores que não tem a chamada divina para o ministério, mas como que para se cumprir o ditado: filho de peixe (pastor) peixinho (pastorsinho) é, são ordenados.
    Obreiros que são consagradas porque dão o dízimo alto, porque bajulam o pastor, porque são parentes, (cunhado, sobrinho, tio, pai, etc...), porque são submissos em tudo, nunca questionam, são coniventes, pessoas sem a miníma condição para ocupar um cargo eclesiástico enquanto chamados e vocacionados amargam nos bancos das igrejas sem terem seus ministérios reconhecidos.

    Pb. Edinei, Th.B

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